Porque perdemos a memória?

 

André Gustavo Lima - neurologistaAndré Gustavo Lima – neurologista

Hoje em dia as queixas referentes aos problemas de memória têm crescido muito. Mas as pessoas precisam ficar atentas para a diferença entre falta de atenção e a perda de memória. A falta de atenção ocorre quando a informação não é armazenada, não “entra na memória”. Já a perda de memória acontece quando a informação é “perdida”, como o esquecimento do nome de parentes, por exemplo. O estresse e a depressão são fatores que influenciam muitas vezes na falta de atenção. A alimentação e a pratica de exercícios também são importantes para manter a memória em dia.

A hipertensão, o colesterol alto, o tabagismo e o álcool são fatores de risco para a perda da memória, pois todos começam a acelerar o processo de envelhecimento das artérias. O processo começa com a obstrução nas micro artérias, ocasionando perda de sangue em regiões do cérebro, causando pequenas isquemias e assim os neurônios ficam sem nutrientes e morrem. Por isso é importante praticar atividade física que ajuda a diminuir os fatores de risco, promove maior vascularização cerebral e assim aumentar a ação dos neurotransmissores.

Ficar atento a alguns sinais pode ajudar na prevenção da alteração da memória. A partir dos 65 anos é o período que geralmente este problema começa a ocorrer. É importante reparar se a pessoa esquece fatos recentes. Depois se esquece de eventos mais antigos. Se não lembra onde deixou objetos e/ou se esquece do nome das pessoas. Esses são alguns sinais do problema. Muitas vezes sinais de uma demência na fase inicial podem ser confundidos com depressão.

Um fator muito importante é a qualidade do sono. Ter um sono completo com todas as fases ajuda a memória. A fase REM aumenta a atividade cerebral, o que é essencial para a codificação de informações úteis. O sono é um recuperador de energias. Ele ajuda a levar mais energia para os neurônios, promovendo as sinapses.

O cérebro tem proteínas que se ligam aos neurônios e quando acontece a diminuição das sinapses (que é a ligação entre os neurônios), acontece a perda de memória, que é uma limitação na comunicação entre os neurónios. A falta de sinapse faz com que os neurónios fiquem sem energia e comecem a morrer.

Não existe remédio para reverter a perda de memória. Hoje os medicamentos servem para tentar evitar a piora da morte dos neurônios. As medicações estimulam os neurotransmissores no cérebro. E ao contrário do que muita gente pensa, o café não prejudica a memória. Estudos comprovaram que a cafeína tem eficácia na “fixação” da memória. Agora os estudos estão voltados para interpretar como a cafeína atua em cada parte da memória, uma delas é o hipocampo.

*Dr. André Gustavo Lima (Neurologista) – Especialista na prevenção do AVC. É membro da Academia Brasileira de Neurologia, membro do Departamento Científico de Doppler Transcraniano da Academia Brasileira de Neurologia, membro do Departamento Científico de Acidente Vascular Cerebral da Academia Brasileira de Neurologia, membro fundador da Associação de Neurologistas do Estado do Rio de Janeiro, membro da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral e membro da Europe Stroke Organization. Cursou a especialização em Doença Cerebrovascular no Hospital Santa Maria, em Lisboa/Portugal.

COMO ANDA O SEU CÉREBRO?

Fazer um check-up anual do cérebro, como hoje se faz do coração é o que neurologistas e pesquisadores estão recomendando. Eles vem desenvolvendo testes, a fim de proteger a saúde cerebral e preservar suas funções.

Desenvolvida em centros de pesquisa e universidades dos EUA e da Austrália, essa nova abordagem começa a se disseminar pelo mundo, inclusive no Brasil.

Estudos indicam que pessoas com maior poupança cognitiva contornam melhor suas deficiências, segundo artigo publicado na revista “Neurobiology”. De acordo com a revista, uma investigação de cientistas americanos, italianos e sérvios ligados à Fundação Kessler concluiu que a existência de uma reserva mais robusta cria maior resistência à progressão das perdas cognitivas até mesmo em pacientes com doenças degenerativas, como a esclerose múltipla.

No laboratório do neurocientista Michael Collins, da Universidade de Pittsburgh (EUA), concentra-se a vanguarda dos estudos e tratamentos da concussão cerebral, o trauma provocado por choques ou pancadas que causam impacto na cabeça. Suas pesquisas mostram que resultados normais dos exames de imagem não são suficientes para descartar uma avaliação das funções cerebrais de pessoas que bateram a cabeça. “Treinamentos específicos melhoram esse quadro”, assegura Collins.

No Brasil, aumentar o acesso ao diagnóstico é uma das prioridades, já que apenas 11% das pessoas com a doença de Alzheimer estão em tratamento e estima-se que 90% dos pacientes não tenham diagnóstico.

A doença de Alzheimer acomete aproximadamente de 50% a 60% da população idosa mundial e é a causa mais comum de perda de memória. De acordo com a ONU, 75% dos doentes desconhecem que sofrem do mal. A família, as vezes, é a última a perceber que aquele simples esquecimento, no idoso, é um sintoma. Atualmente, não há um diagnóstico definitivo, apenas um diagnóstico de exclusão

Matéria publicada na revista “Nature” mostrou a eficiência de um jogo desenvolvido pela Universidade da Califórnia, o Neuro Racer, que é utilizado para incentivar a capacidade de executar diversas tarefas ao mesmo tempo. Um estudo feito com 40 pessoas com idade entre 60 e 85 anos mostrou que a aplicação personalizada de um videogame pode ser usada para investigar as habilidades cerebrais e, ao mesmo tempo, como ferramenta para melhoria cognitiva. No jogo o jogador pilota um carro por uma região montanhosa por meio de um joystick, ao mesmo tempo é instruído a apertar um botão apenas quando um sinal específico aparecer na tela.

O cérebro precisa e merece atençao. Seu desenvolvimento pode proporcional um enorme bem estar e capacidade neurológico para o indivíduo, com o passar dos anos. Exercitar o cérebro e preservar suas funções vem sendo, além de objeto de estudo, objeto de desejo.

segs.com.br

 

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