Portugal: Sociólogos e psicólogos querem seus docentes somente de profissionais da área

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Sociólogos e psicólogos querem que seja barrado o acesso à docência das áreas a professores sem competências específicas. A Associação Portuguesa de Sociologia tem a correr uma petição que já leva mais de 1700 assinaturas. Estão em causa largas centenas de postos de trabalho.

No ensino público, neste momento, a maior parte dos docentes das disciplinas de Sociologia e Psicologia tem formação em Filosofia ou Economia. O Ministério da Educação reconheceu que “a Sociologia é lecionada, atualmente, pelos docentes do grupo de recrutamento 430”, de Economia e Contabilidade, “não estando prevista, para já, nenhuma alteração legislativa”.

Teixeira Lopes, presidente da APS, ressalva que há “excelentes profissionais” a assegurar a disciplina de Sociologia, mas acredita ser “um mau princípio ter pessoas a ensinar sem habilitação específica” na área. “É um contrassenso haver tantos e tão conceituados cursos de Sociologia e as aulas serem dadas por pessoas de outros ramos do saber”, disse.

Teixeira Lopes estima que haja menos de duas dezenas de sociólogos a ensinar a disciplina no ensino secundário, em todo o país. Não tem um número certo de quantos postos de trabalho estão em causa, mas calcula haver perto de 200 turmas de Sociologia. Psicólogos sem 644 vagas.

Já Telmo Baptista, bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), tem um número concreto. “No ano letivo de 2012/2013, havia 644 professores a ensinar Psicologia”. Um estudo da Ordem adianta que são “todos da área de Filosofia, com créditos em Psicologia insuficientes na sua formação”.

Já para que um psicólogo possa dar aulas as exigências são excessivas: são obrigados a ter formação em Sociologia e Antropologia, mesmo que só queiram dar Psicologia, diz a OPP. “Esta é uma nossa reivindicação de longa data e da mais elementar justiça”, acredita o bastonário.

Em 2013, uma recomendação do Parlamento aconselhava o Governo a criar “um regime de habilitação própria para docência da Psicologia por psicólogos”. Mas os anos passaram sem resposta do Executivo. “Ainda estamos à espera que seja acolhida”, lamenta.

Alexandra Figueira

jn.pt

 

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